Era então o menino, carente, gordinho, pobre e mimado. Era menino de rua, não por morar nela, mas pois vivia a correr por la.. era terra, tanto até entre as unhas, tinha árvore, tinha um pé de "jão-bolão", que nem tinha fôlego para subir, e havia tantos outros meninos que também habitavam sua companhia.. Tinha a casa de madeira, tinha cerca de "pau", tinha foto de revista colada na parede, era o mundo inteiro uma rua e três quarteirões eram o limite do seu mundo... Era uma cidade sua imaginação, tinha gente que ele inventava, era maldoso tantas vezes, coisa de menino bobo, sabia que ia apanhar, e apanhar era seu maior medo.... Era então o homem, nem feio e nem bonito, carente, magrelo e tinha até uma barriguinha. Era homem da cidade, não por ter sido criado nela, mas por ter ido parar lá... era asfalto, tanto até na cabeça, tinha prédio, tinha bar, tinha contas, tantas, mas bebia, e sempre havia um jeito para sobrar pra bebedeira, se arrependia, dormia ruim, acordava sem saber nem ao certo com quem, faltava esperança, não queria ser mais homem, não sabia o que queria, ele também inventa gente, pra safar de todo tédio, essas maldades nunca passam, vai pro inferno esse homem... O menino um dia amou, nem sabia que estava amando, mas queria ficar junto, sonhava sondava e pensava, o menino amou cedo, amou depois de novo e como amava esse menino, o menino tinha pressa em crescer, ele tinha pressa em tudo, ele nunca foi bobo, ele já nasceu maquinando, nem queria mais a rua, e a bicicleta ficou no quintal, o barraco virou três cómodos, e sempre tinha festa lá... O menino era esperto, beijava no boca escondido, era ótimo ser menino safado. sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
O MENINO E O HOMEM
Era então o menino, carente, gordinho, pobre e mimado. Era menino de rua, não por morar nela, mas pois vivia a correr por la.. era terra, tanto até entre as unhas, tinha árvore, tinha um pé de "jão-bolão", que nem tinha fôlego para subir, e havia tantos outros meninos que também habitavam sua companhia.. Tinha a casa de madeira, tinha cerca de "pau", tinha foto de revista colada na parede, era o mundo inteiro uma rua e três quarteirões eram o limite do seu mundo... Era uma cidade sua imaginação, tinha gente que ele inventava, era maldoso tantas vezes, coisa de menino bobo, sabia que ia apanhar, e apanhar era seu maior medo.... Era então o homem, nem feio e nem bonito, carente, magrelo e tinha até uma barriguinha. Era homem da cidade, não por ter sido criado nela, mas por ter ido parar lá... era asfalto, tanto até na cabeça, tinha prédio, tinha bar, tinha contas, tantas, mas bebia, e sempre havia um jeito para sobrar pra bebedeira, se arrependia, dormia ruim, acordava sem saber nem ao certo com quem, faltava esperança, não queria ser mais homem, não sabia o que queria, ele também inventa gente, pra safar de todo tédio, essas maldades nunca passam, vai pro inferno esse homem... O menino um dia amou, nem sabia que estava amando, mas queria ficar junto, sonhava sondava e pensava, o menino amou cedo, amou depois de novo e como amava esse menino, o menino tinha pressa em crescer, ele tinha pressa em tudo, ele nunca foi bobo, ele já nasceu maquinando, nem queria mais a rua, e a bicicleta ficou no quintal, o barraco virou três cómodos, e sempre tinha festa lá... O menino era esperto, beijava no boca escondido, era ótimo ser menino safado.
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